quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Terreno na Praia do Flamengo é da UNE

Justiça decide que terreno na Praia do Flamengo é da UNE

Notícia publicada em 08/05/2007 13:28
O juiz Jaime Dias Pinheiro Filho, da 43ª Vara Cível do Rio, indeferiu nesta sexta-feira (dia 4 de maio) a liminar requerida pelo Estacionamento Velho Cipriano que pedia a reintegração de posse do terreno ocupado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), na Praia do Flamengo 132. O juiz manteve decisão que já havia indeferido outra liminar e, ao mesmo tempo, deu a sentença que considera que a UNE é a verdadeira proprietária da área.
O estacionamento ocupava o terreno há cerca de 20 anos e entrou com ação de reintegração de posse, alegando que vinha exercendo direito real de posse, sem qualquer oposição, "de forma mansa e pacífica", quando estudantes o invadiram, reivindicando que ele fosse devolvido à União Nacional de Estudantes.
Em sua decisão, o juiz Jaime Filho considerou que a posse não vinha sendo feita de forma mansa e pacífica: "constitui fato público e notório a luta dos estudantes pela retomada do espaço perdido desde a época dos anos oitenta, iniciada logo após a demolição do imóvel", escreveu na sentença. O juiz lembrou, ainda, que foi o então presidente Getúlio Vargas quem doou a sede da instituição à UNE, que funcionou naquele local de 1942 até 1964, quando o imóvel foi incendiado por ordem dos militares.
A favor da UNE há ainda uma certidão do cartório do 9º Registro de Imóveis que mostra que, no dia 16 de maio de 1996, o Governo Federal doou o imóvel à União Nacional dos Estudantes. "Desse modo, o imóvel situado na Praia do Flamengo nº. 132, Flamengo, é de propriedade da UNE, sendo a ocupação, em decorrência, ilegal e contra a vontade do proprietário", concluiu o juiz na sentença.


Brasil PARLAMENTARISTA - Parte 1


Por Ralph Anzolin Lichote

O Parlamentarismo estabelece a primazia do Parlamento no governo: caberia ao Parlamento, portanto, não só o poder Legislativo, mas também o Executivo, liderado por um primeiro-ministro eleito por maioria parlamentar de seu partido. Caso seu partido perca a maioria parlamentar, o primeiro-ministro é substituído por outro parlamentar membro do partido de maior sustentação (maioria) no parlamento.

No Brasil, a prática parlamentarista chegou a ser estabelecida em dois período históricos distintos: no período imperial e no período republicano.

No Brasil Imperial, a prática parlamentarista entra em vigor no 2º Reinado, no período entre os anos de 1847 e 1889. O presidente do Conselho de Ministros, um membro do partido majoritário no Parlamento, é indicado pelo Imperador. No entanto, os preceitos do Parlamentarismo neste período são relativizados pelo poder do Imperador. Através da Constituição então vigente, era concedido ao Imperador um tipo de poder bastante particular: o Poder Moderador concedia ao Imperador o direito de fechar a Câmara e convocar novas eleições, agindo de acordo com suas tendências políticas pessoais.

Portanto, no caso de queda do partido mais próximo às tendências políticas imperiais, o Imperador poderia favorecer seu partido através do fechamento da Câmara. Esta prática parlamentar chegou ao fim com o advento da República no Brasil, em 1889.

A segunda experiência parlamentarista no Brasil durou pouco mais de um ano, tendo sido implantada também de maneira "artificial", em 1961: a renúncia de Jânio Quadros ao cargo da presidência da República levaria João Goulart, o vice-presidente, ao governo. No entanto, alguns setores políticos e militares não aderem à posse de Goulart: o regime parlamentarista híbrido foi imposto como condição sine qua non para a posse do presidente. O presidencialismo, um ano mais tarde, foi resgatado através do plebiscito conclamado por Goulart, realizado em janeiro de 1963.


A Constituinte de 1988 era eivada de ideais parlamentarista, pois quando a Constituinte começou a votar a Constituição, pensava em estabelecer o regime parlamentarista, e vários artigos foram votados com este espírito. Depois, aprovou-se o presidencialismo, mas aqueles artigos já estavam na Constituição. Alguns constituintes vencidos como o ex-presidente Fernando Henrique ainda acreditava na esperança de um governo Parlamentarista e aprovou-se um plebiscito popular a ser realizado em 1993 para a escolha do regime (República ou Monarquia) e forma de governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo). Porém o povo brasileiro ainda inexperiente na arte de escolher o seu destino, não entendeu a mensagem de nossos legisladores e preferiram confirmar a manutenção do sistema de governo preexistente.

Assim ficamos com um governo Presidencialista e uma constituição com vários instrumentos apropriados ao governo Parlamentarista. Podemos citar alguns destes distúrbios em nossa constituição:

ORÇAMENTO PÚBLICO IMPOSITIVO: Certamente o povo cobrará do governante eleito o cumprimento de seus propalados compromissos de campanha, não sendo lógico que um Parlamento não eleito para governar tenha poderes para impor determinadas alocações de recursos públicos que podem eventualmente conflitar com diretrizes programáticas aprovadas pelas urnas.

MEDIDA PROVISÓRIA: Criada para vigorar num sistema parlamentarista, onde o Primeiro-Ministro eleito teria que ter poder para executar as medidas tomadas pela maioria do parlamento, tornou-se um instrumento mais autoritário que o decreto-lei da época da ditadura militar, se tornou uma arma para o Presidente legislar a bel prazer, por exemplo o ex Presidente Fernando Henrique Cardoso passou para a história com 227 novas medidas e 4.451 reeditadas. Com esse abuso o Congresso Nacional é tolhido em seu direito de legislar, como dignos representantes da vontade do povo.

Veja mais no Brasil PARLAMENTARISTA - Parte 2

...Com a queda do Muro de Berlim em 1989, a conseqüente derrocada dos países comunistas e a globalização são fatores externos que deixaram de cara o texto recém-aprovado na constituinte de 1988 precisando de atualização...

Ou fazemos a Reforma ou um novo Plebiscito?


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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Brasil PARLAMENTARISTA - Parte 2



O fato concreto é que a Constituição de 1988 transferiu quase todos os poderes de decisão para o Congresso Nacional.

Hoje, o Presidente da República depende do Congresso para tudo: aprovar a nomeação de diretores e do Presidente do BC, de embaixadores, aprovar projetos de lei, medidas provisórias, emendas constitucionais, o Orçamento da União, reajuste do salário mínimo, englobando todos os assuntos de governo, praticamente.

Na prática, a partir da Constituição de 1988, o Presidente da República tornou-se refém do Congresso Nacional. Este, é quem, de fato, tem a última palavra em todos os assuntos.

E como o sistema partidário brasileiro é altamente fragmentado (o PMDB, que tem a maior bancada na Câmara dos Deputados, não chega a ter sequer 20% dos deputados federais) e um grande número de partidos possui bancadas no Congresso Nacional, qualquer Presidente da República que queira governar acaba tendo que transformar o Congresso Nacional em um grande balcão de troca de favores (em torno de verbas, cargos, apoio político, etc).

Para piorar um pouco mais a situação, não existe uma fidelidade partidária digna do nome e, com isso, os parlamentares trocam de partido com a mesma facilidade e rapidez com que trocam de roupa, o que dificulta ainda mais a obtenção de apoio por parte do Presidente da República para ter maioria no Congresso Nacional e poder governar.

Esta situação dá origem à famosa política 'franciscana' do falecido deputado federal Roberto Cardoso Alves, o 'Robertão': 'é dando (verbas, cargos, apoio político, etc) que se recebe (votos em favor de projetos de interesse do governo).

Sem essa política de troca de favores, Presidente da República algum consegue governar.

Resumindo tudo isso: o fato é que a Constituição brasileira é Parlamentarista. Mas, o povo continua elegendo diretamente um Presidente da República que, de fato, não é quem governa, embora este mesmo povo não saiba disso.

A verdade é que os que fizeram tal Constituição (Dr. Ulysses e cia.) não tiveram coragem de implantar o Parlamentarismo naquele momento, 1987/1988, até porque eles chegaram ao poder graças à campanha das Diretas-Já para Presidente da República.

Seria uma brutal contradição levar milhões de pessoas às ruas de todo o país exigindo Diretas-Já para Presidente da República e, depois, implantar o Parlmentarismo e esvaziar totalmente com os poderes e atribuições presidenciais.

Então, Dr. Ulysses e seus aliados colocaram na Constituição Parlamentarista que elaboraram a previsão de convocação de um plebiscito, a fim de implantar o Parlamentarismo.

Mas, como eles se esqueceram de combinar isso com o povo, este optou pela manutenção do Presidencialismo, principalmente porque não queria abrir mão de eleger diretamente o Presidente da República.

Não se pode esquecer que as eleições de 1986 foram vencidas pelo PMDB com extrema facilidade, pois as mesmas foram realizadas na época do 'Plano Cruzado'. Com isso, o PMDB elegeu 22 dos 23 governadores e alcançou a maioria absoluta no Congresso Nacional.

Assim, foi o Dr. Ulysses Guimarães e seus aliados dentro do PMDB quem, de fato, elaborou a Constituição de 1988. E esta é uma Constituição Parlamentarista.

Assim, temos hoje, no Brasil, um Parlamentarismo envergonhado e que gera uma situação de conflitos permanentes entre o Presidente da República e o Congresso Nacional.

E isso acontece porque o povo elege um Presidente da República (que controlará o processo de liberação de verbas e de nomeação para os cargos públicos), pensando que o mesmo irá governar, mas quem tem o poder, de fato, de governar é o Congresso Nacional, que tem a última palavra em todos os assuntos.

Enquanto tal sistema político-partidário for mantido, não haverá outra solução para os Presidentes da República, independente de serem populares ou não: ou os Presidentes da República 'afagam' os parlamentares e as lideranças políticas estaduais tradicionais que controlam o voto destes mesmos parlamentares (Collor, Sarney, etc) no Congresso Nacional (com verbas, cargos, apoio político, etc) ou tais Presidentes não conseguem governar.

Somente uma profunda reforma política poderá mudar esta situação.

O Brasil precisa escolher: ou implanta um Parlamentarismo de fato, ou transfere, novamente, o poder de governar para o Presidente da República (poder este que foi retirado pela Constituição de 1988), transferindo os poderes de governar para o chefe do Poder Executivo.

E tal reforma política também deverá promover o fim do Senado, a criação de um Parlamento unicameral, fidelidade partidária rígida, cláusula de barreira, proibição de coligações para eleições legislativas, proibição de financiamento privado de campanhas eleitorais, voto distrital misto, criação do financiamento público de campanhas eleitorais.

Manter o atual sistema, caracterizado por este Parlamentarismo envergonhado e por um sistema partidário totalmente fragmentado e caótico, é a receita certa de manutenção de um sistema político instável, conflitante e que cria todas as condições para uma permanente troca de favores entre o Presidente da República (que tem a 'caneta na mão' para nomear ocupantes de cargos públicos e para liberar verbas) e os congressistas e as lideranças políticas estaduais que controlam o voto de Senadores e Deputados Federais.

Quem acredita que essa troca permanente de favores e de 'afagos' entre o Presidente da República e as lideranças políticas tradicionais que controlam o voto dos congressistas poderá ser alterada apenas elegendo-se outro (a) Presidente da República, está redondamente enganado.

Mantidas as atuais regras de funcionamento do sistema político e partidário, o fato concreto é que qualquer um que se tornar Presidente da República terá que se sujeitar a tais situações constrangedoras, ou seja, a de ter que fazer todas estas inúmeras concessões (inclusive para políticos que, anteriormente, eram seus rivais) a fim de ter maioria no Congresso Nacional para poder governar.

Quem quiser mudar esta situação, então que inicie um grande movimento político-social com o objetivo de promover uma radical transformação das regras do sistema político e partidário brasileiro.

Caso contrário, que se contente com o que temos aí. Com as regras existentes, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes.



Ou fazemos a Reforma ou um novo Plebiscito?


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REFORMA POLÍTICA : UMA PRIORIDADE NACIONAL?






Prof. Godofredo Pinto   Em 22/09/09   
   No Brasil há um aparente consenso no discurso da maioria das lideranças partidárias, dos analistas políticos, editorialistas e colunistas da mídia nacional, de que dentre os males brasileiros, aquele que seria o mais relevante e urgente de ser enfrentado seria o da nossa “desorganização político-institucional”, responsável pela parca representatividade de nossos partidos e pelo baixo padrão das posturas e práticas adotadas por nossos políticos. No dizer de tais formadores de opinião, com uma ampla e profunda reformulação do sistema político nacional, minimizar-se-ia em muito o descrédito com que a política é vista pela população brasileira.

  Não concordo, no essencial, com tal avaliação. Encarando esta questão numa perspectiva democrático-popular, creio ser o nosso sistema político-institucional muito mais benéfico do que maléfico para o nosso povo.
   
  Em verdade, nosso sistema político-institucional – cujos preceitos fundamentais foram sendo instaurados progressivamente desde a Proclamação da República até a Constituinte de 1988 -, vem contribuindo decisivamente para que tenhamos uma democracia massiva, com enorme e crescente participação popular (adotamos os institutos do voto obrigatório, do voto do analfabeto, do plebiscito, do referendo, de projetos de iniciativa popular), com amplo e diversificado espectro partidário (o que é, certamente, mais democrático do que sistemas que, na prática, viabilizam a existência de apenas dois ou três partidos), com o povo votando a cada dois anos e reciclando permanentemente a representação política nacional, sendo aberto e flexível o suficiente para possibilitar a emergência de fenômenos únicos como são o crescimento de um partido como o PT e a eleição de um operário para a Presidência da República, expressão de um dinamismo e permeabilidade sistêmica de alto potencial mudancista. É um sistema vigoroso e transparente o bastante para viabilizar a cassação de um Presidente da República e de inúmeros parlamentares, prefeitos e governadores por corrupção e improbidade administrativa, o mesmo ocorrendo com próceres do Judiciário brasileiro, numa proporção provavelmente maior do que em outras democracias nas quais tais vícios vicejam em grande quantidade.
   
  Este nosso sistema político, tão avançado do ponto de vista democrático, se assenta sobre 5 princípios basilares que definem  o que nele é essencial, a saber : somos uma República Federativa, e não Unitária ; adotamos o regime Presidencialista de Governo, e não o Parlamentarismo ; temos um Parlamento bicameral, e não unicameral ; temos o voto universal  obrigatório, e não o facultativo ; e adotamos o voto proporcional, e não o distrital.
  
  Estas características fundamentais de nossa institucionalidade infundem certas qualidades à nossa vida política que devem ser sempre realçadas e valorizadas. A indução à ampla pluralidade partidária (decorrente do sistema de votação proporcional, posto que o voto distrital induz ao bipartidarismo), o exercício permanente da negociação política exaustiva (fruto do sistema Presidencialista com Parlamento bicameral numa Federação), o amplo protagonismo político-eleitoral de nosso povo (somos mais de 120 milhões de eleitores votantes , graças  ao instituto do voto obrigatório), o fato de termos um Brasil unido (consequência de sermos uma Federação), são aspectos fulcrais de nossa dinâmica política, que mostraram-se compatíveis com um desenvolvimento sócio-econômico extraordinário nos últimos 70 anos , salvo alguns poucos períodos de relativa estagnação, o que desmente a tese de que teríamos  uma estrutura político-institucional inibidora da boa governança.
   
  As características e qualidades típicas do modelo político brasileiro contribuíram decisivamente não só para o fantástico avanço democrático vivido pelo Brasil nas últimas décadas (do que são notórias comprovações a solidez institucional e o respeito à legalidade democrática verificadas durante as sucessivas crises ético-políticas que temos vivenciado), como também serviram de importante anteparo para o nosso povo quando da instauração de infame Ditadura Militar em 1964. Afinal, certamente a crescente e impactante incorporação de grandes massas ao processo político-eleitoral ocorrido nos quase 20 anos de democracia do pós-1945 – processo suficientemente vigoroso para impregnar a consciência popular da importância do direito ao voto -, para a qual nossa formatação institucional muito colaborou, veio a ser uma grande responsável para que os golpistas brasileiros, de 1964 em diante, não tiranizassem o Brasil tanto quanto golpes similares o fizeram na Argentina, Chile, Uruguai, et caterva. Os “respiradouros” de índole democrática, bem ou mal, sobreviveram entre nós – um Parlamento castrado, porém quase sempre funcionando; eleições mantidas na maioria dos municípios, ainda que não para prefeitos das capitais nem para governadores; Poder Judiciário aviltado, mas funcionando -, não por generosidade dos nossos ditadores, mas pela necessidade de manter, como válvula de escape, uma certa ritualística democrática – mesmo sendo ela essencialmente formal -, devido à força do apelo popular que o ato de votar adquiriu junto ao povo trabalhador brasileiro. Assim, a flexibilidade, a permeabilidade, a natureza “negocial” de nossa  institucionalidade, facilitaram em muito que nossa gradual transição democrática da Ditadura Militar ao atual Estado Democrático de Direito ocorresse sem que nossos brutais traumas atingissem proporções equivalentes aos de outros países latinoamericanos.
   
  Quanto à problemática da carência de ética na atividade política, que poderia, no dizer de tantos, ser em muito superada por uma eventual Reforma Política, penso que tal crença decorre do que eu chamaria  de “superestimação legisferante”  da cultura nacional, ou seja, o cultivo da ilusão de que o estabelecimento de uma lei  é capaz, por si só, de tornar realidade o disposto na norma legal,  independentemente das condições objetivas sobre as quais  a legislação venha a ser aplicada. Tal “ilusão legisferante” – herança cultural de nossa colonização ibérica - é que explica a freqüência com que no Brasil tantas leis “não pegam”. Imaginar-se que a mera aprovação de uma Reforma Política significará uma reversão profunda nos deletérios métodos usuais no fazer política em nosso país, ou é um sonho bem intencionado, ou é, para muitos, um pretexto simbolicamente relevante para justificar uma convocatória de fato focada em mudanças noutras temáticas que não a da ética na política.
   
  É claro que não julgo ser indiferente termos uma legislação mais ou menos aperfeiçoada e rigorosa no tocante a exigências e penalidades atinentes à conduta de nossos agentes públicos. É claro também que temos distorções políticas e problemas a serem enfrentados e corrigidos. Disto são exemplos o grande troca-troca de partidos, o abuso do poder econômico, a excessivamente distorcida representação por Estado na Câmara Federal, as sistemáticas mudanças casuísticas das regras eleitorais que vigem em cada eleição, dentre outros. Cada uma destas questões, se cotejadas com os princípios constitucionais fundamentais já mencionados, são temáticas apenas relativamente importantes, mas que requerem aprimoramentos legislativos. Por isso, tais necessários aperfeiçoamentos temáticos devem ser viabilizados mediante legislação específica, votada em separado, deliberando-se caso a caso, cada assunto decidido a seu tempo; e assim sendo, evitar-se-ia que estas questões fossem  inseridas  numa discussão mais geral e num encaminhamento deliberativo global atinente a uma ampla Reforma Política  posta como prioridade central da agenda nacional, reforma esta que criaria a possibilidade de ocorrerem reformatações da configuração política brasileira naquilo que ela tem de essencial e de alto valor democrático, como seria o caso de mudanças quanto ao voto obrigatório, ao voto não distrital e ao regime presidencialista (este último podendo ser solapado pela adoção do “orçamento impositivo”, o que seria uma  manobra para, subrepticiamente, se parlamentarizar o nosso presidencialismo, golpeando-se fundamente a vontade nacional expressa de forma esmagadora em dois  plebiscitos históricos).  Ou seja, não devemos lidar simultaneamente com a criança saudável (novas normas éticas; melhorias tópicas na legislação partidária) e com a água suja (eventuais mudanças nos balizamentos políticos básicos). Daí eu ser contra a proposta petista de ser realizada uma Constituinte Exclusiva para se fazer uma Reforma Política no Brasil. Para o povo trabalhador brasileiro, muito mais urgente e relevante são as Reformas Tributária, Trabalhista, Previdenciária, Agrária e Ambiental, do que uma imponderável  Reforma Política ampla.
   
 Ademais, as questões da carência ética na vida pública e do descrédito na política são fenômenos mundialmente impactantes. São evidências disto, não só os sucessivos escândalos políticos ocorrentes em inúmeros países de todos os continentes (em geral, com maior grau de impunidade do que no Brasil), mas também o muito elevado absenteísmo eleitoral reinante na grande maioria das democracias consolidadas – com raras exceções, como a Austrália, onde o voto é obrigatório. De fato, há uma gravíssima crise de representação, não apenas nos partidos políticos e nos Poderes da República, mas nas entidades da Sociedade Civil – sindicatos, associações comunitárias e empresariais, clubes de serviços, imprensa, etc. -, crise esta que é parte de uma mais abrangente problemática, qual seja, a impactante e crescente “insolvência” dos valores tradicionais de instituições basilares das sociedades humanas, como a família e a religião. Em verdade, a valorização da Ética e da Política junto à Cidadania dar-se-á sobretudo pelo revigoramento, no conjunto da sociedade, de valores fundamentais – os da justiça, da democracia, da solidariedade, da equidade -, que venham a se desdobrar no âmbito dos poderes republicanos como reflexo da força com que tais valores sejam vivenciados pelos cidadãos em seu cotidiano. É impensável termos um ambiente político sadio, infenso ao oportunismo e à corrupção, se na sociedade civil prevalecem visões típicas da barbárie tecnizada – a lei do “cada um por si, o resto que se exploda”, a competitividade a qualquer custo, os fundamentalismos religiosos e étnicos, a ética mesquinha do pequeno suborno da pequena autoridade da repartição pública ou da esquina , as grandes falcatruas no mundo dos grandes negócios  ou dos altos escalões da República. Outrossim, é evidente que, como salientamos acima, não cabe ficarmos apenas  aguardando a evolução positiva do contexto ético-cultural geral da sociedade para que iniciativas legais corretoras sejam tomadas de modo que, dialeticamente, aperfeiçoamentos normativos na esfera política estimulem a revalorização dos princípios humanísticos que devemos fortalecer  junto aos nossos concidadãos.


Godofredo Pinto – Prefeito (2002-2008) e Vice-Prefeito (2001-2002) de Niterói pelo PT; Presidente Regional do PT/RJ (1996-1997); Deputado Estadual (1983-1994); Fundador e membro da Comissão Nacional Provisória do PT (1980); Fundador (1977) e Presidente do Centro Estadual dos Professores (CEP) de 1979 a 1984; Vice-Presidente da Confederação dos Professores do Brasil (1985-1986), hoje denominada Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação.  

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A UNIG FOI VENDIDA

No inicio da semana que passou, foi batido o martelo na transação de venda da UNIG – Universidade Iguaçu. 

Ninguém fala de cifras, só se sabe que dos antigos donos só o Luiz Filipe tem 20% dos negócios e compromisso de investimento do mesmo percentual.

Os novos proprietários é um grupo encabeçado pelo ex- Reitor e empresário Antonio José Maye Raunhetti, primo dos antigos donos; com participação do Dep. Fernando Gonçalves, também primo dos antigos proprietários; do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Sr Aluizio Gama e sua esposa futura prefeita de Nova Iguaçu Sheila Gama, (Sheila assume a prefeitura de Nova Iguaçu conforme acordo feito pela família com o atual prefeito Lindberg Farias, que terá de deixar a prefeitura até 2 abril desse ano e será candidato a qualquer cargo, Governador, senador ou deputado), além do proprietário da Faculdade de Campo Grande, Moacir Bastos.

No Campus V da UNIG, não haverá grandes Mudanças na gestão, fala-se em enxugamento da maquina, mais apenas pequenos ajustes.

O empresário Antonio José esteve em Itaperuna na quinta feira passada, conversou muito sobre o Campus, com varias pessoas entre elas o Dr. Renan Catarina, Dr. Eugenio Carlos e teve também com o prefeito Sr. Claudio Cerqueira Bastos. Ao professor André Monteiro, gerente do Campus V, disse entre tantas coisas, que não quer nenhum empregado fique 30 dias sem receber salários.

Com relação ao pagamento do passivo devido aos professores, não tivemos nenhuma informação, de como será conduzida essa questão pelos novos proprietários da UNIG. Posso afirmar que o SINPRO NNF – Sindicato dos professores do Norte e Noroeste Fluminense, tomou as providencias cabíveis devido ao descumprimento do acordo judicial feito com o mesmo por parte da Universidade, (Não pagou a segunda parcela do parcelamento feito em oito parcelas semestrais), entrou com uma ação de execução, pois o passivo de aproximadamente R$ 6.000.000,00 passa a ser de R$ 12.000.000,00, devido a multa de 100% pelo descumprimento e também acaba o parcelamento. 

Afora as questões salariais, sabe-se também que a menina dos olhos do novo sócio majoritário da UNIG é o CAPS - Colégio de Aplicação, que poderá ser reaberto no próximo ano abrindo novos postos de trabalho.

O que o povo de Itaperuna quer e precisa é da Universidade funcionando a todo vapor, com todos os cursos, com qualidade e com salários em dia.

Isso é o que esperamos.

CRIAR, CRIAR O PODER POPULAR


É PRECISO AGIR EM ITAPERUNA


A democracia não é um edifício acabado no Brasil, a argamassa da ponte que deu passagem à transição democrática parece que ainda não secou.


Os vícios e truques eleitorais ainda maculam nossa república, já demos alguns passos, mas temos um longo caminho a percorrer, precisamos de muito adubo para enraizar o verdadeiro espírito democrático no solo da sociedade brasileira.


Em Itaperuna as frustrações políticas dos últimos anos cobram seu preço. Verificamos isso pelo aumento do absenteísmo e dos votos brancos e nulos, a nos advertir que as reservas de esperança do povo podem ser grandes, mas não são inesgotáveis.


Não deixa de ser espantoso vindo de uma sociedade marcada por tamanhas desigualdades, e castigada, no passado recente, por decepções tão amargas com seus representantes.


Apesar disso, a imensa maioria apostou mais uma vez na participação eleitoral. E distribuiu maciçamente seus votos entre opções que, bem pesadas às diferenças, apontavam para um novo horizonte comum de mudanças, na perspectiva de um amanhã mais próspero e justo pela via democrática.


Logo, porém passado 1 (um) ano de governo, nota-se que este já têm sido alvo de críticas duríssimas dos populares. Críticas em parte procedentes. Longe de mim, tapar o sol com a peneira por uma descabida "solidariedade de classe".


A sociedade tem direito de ser dura, implacável mesmo, na cobrança de decência e transparência de seus representantes, considerando que as ruas das cidades estão cheias de buraco, as obras prometidas não são realizadas, o desemprego vem crescendo, e os próprios prepostos do governo não dão exemplo de política pública de qualidade e desenvolvimento.


Mas há que separar o joio do trigo, até para que a cobrança seja eficaz.


Nota-se, porém que o fim do ciclo dos governos militares, não deu fim as práticas eleitoreiras de alguns administradores públicos. Assim é justo que se diga, então, em alto e bom som que: o edifício da nossa democracia não para de pé, se dentro da Câmara de Vereadores não houver políticos com "p" maiúsculo.


Mas infelizmente no pleito de 2008, faltou consciência dos partidos na construção das legendas e alianças, e candidatos novos imbuídos do caráter republicano, para a maioria dos eleitores mudancista que foram as urnas despejar seus votos.


É verdade que, nas agruras desse processo, perdemos a oportunidade única de realizar a revisão de nossos políticos, mas tenho esperança que o sonho não acabou e que virão dias e surgirão políticos melhores em 2012.


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Liberdade e Lei de Imprensa









A efetivação da Liberdade de Imprensa
A Lei 5.250 de 1967, desde o seu nascimento foi bombardeada por críticas, seja por parte dos profissionais atuantes da área, seja pela opinião pública. Basta dizer que ela foi elaborada pelo Presidente Castelo Branco que se inseriu no Poder pela força, o que mostra as vísceras da falta de liberdade daquele Congresso para apreciar qualquer lei nova.
A defasagem de tal lei é absurda; esta não se encaixa na realidade social brasileira. Logo em seu § 1°do seu artigo 1°, a lei usa a expressão “subversão da ordem pública”, conceito extremamente genérico e abstrato, variável de ordem para ordem, sociedade para sociedade, e, principalmente, de governo para governo. Esta expressão durante árduos anos ditatoriais foi manipulada a bel prazer ferindo o Direito à Informação da sociedade e o interesse público geral. No Regime Militar, pesadas restrições se empilhavam sobre os ombros dos jornalistas e sobre suas atuações.
Com o Ato Institucional n° 5, vieram o chamado “ANOS DE CHUMBO” onde as restrições a estes profissionais se exuberavam e se outorgava plenos poderes ao Executivo. Sem mencionar o CENSOR, figura que representava o que podia e o que não podia ser publicado, marcando um tempo que todos nós como nação soberana e Estado Democrático de Direito queremos esquecer.
Tal lei autoritária, hoje permanece como outrora, representando um último resquício ditatorial. Mesmo diante de nossas enormes conquistas como o pluripartidarismo, a Assembléia Nacional Constituinte, as eleições diretas para Presidente, a CONCENTRAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO nas mãos de velhos conhecidos, ainda representa o maior drama político-social de nossa sociedade.
Essa situação ofende diretamente o interesse público e os preceitos da nossa Constituição da República. Por isso, insurge a emergência de uma Nova Lei de Imprensa, que beneficie tanto profissionais quanto a sociedade como um todo. Vários projetos foram surgindo desde a Lei 5.250 aqui discutida. O primeiro deles foi aprovado pelo Senado em 1992.
É obvio que apesar de arcaica e autoritarista esta Lei é minuciosa, característica que deve permanecer. Devemos nessa revisão da Lei de Imprensa Nacional agir com transparência, independência e responsabilidade, pois, apesar da necessidade de se apagar os resquícios ditatoriais, como é o caso do sucumbido decreto-lei 972/69. Deverão as novas regras de Imprensa tratar com seriedade os crimes de imprensa, suas penalidades e indenizações cabíveis aos que se excederem.
O decreto-lei 972/69 que exigia o diploma de jornalismo para o exercício da profissão ia de encontro com a nossa legislação constitucional. Sua inaplicabilidade vem fazer ressurgir das cinzas a LIBERDADE DE IMPRENSA tão almejada pelos profissionais e pela sociedade.
Assim por oito votos a um, tal Decreto-lei arcaico e rebuscado de inconstitucionalidades foi derrubado pelo STF, fazendo do dia 17 de junho de 2009 um marco para a Imprensa Brasileira.
O Ministro do STF Ricardo Lewandowski expôs em seu voto a mais sucinta e brilhante manifestação a respeito: "Esse decreto é mais um entulho do autoritarismo da ditadura militar que pretendia controlar as informações e afastar da redação dos veículos os intelectuais e pensadores que trabalhavam de forma isenta".
Destarte, o maior problema a ser sanado é a questão da democratização dos meios de comunicação, tratado nos artigos 220 a 224 da CRFB/88.
A Imprensa, com certeza, tem o dever de informar. Mas, mais do que isso, seu maior dever é de iluminar as consciências, difundir culturas e manifestar pensamentos. Uma lei, seja ela relacionada à Imprensa ou não, deve servir para manter o equilíbrio social.
Apesar de todo esse tempo em vigor, a Lei de Imprensa é pouco conhecida até mesmo pelos profissionais da área. O que nos leva a uma enorme reflexão: “Será que esta revisão da legislação de Imprensa que emerge, nos levará à democratização tão desejada dos meios de comunicação?”
Trazendo para a realidade da nossa cidade de Itaperuna, a falta de informação é clara. Com raras exceções, os profissionais da área em nossa cidade não buscam a liberdade de opinião, a proliferação de uma cultura mais elevada, e, muito menos difunde a manifestação da consciência da população. Sua maioria direciona seus trabalhos para a divulgação de empresários e interesses privados. Ou, senão, eventos que de culturais nada tem! A “high society” aparece em click’s e sorrisos amarelos que não transmitem a realidade da maioria de sociedade itaperunense. A sociedade busca melhoria que pode surgir através da reivindicação popular e da Melhor Imprensa.
Diante dessa realidade, onde ficará a formação de nossos profissionais da informação? Que essa renovação legislativa venha limpar resquícios ditatoriais, autoritarismos, desigualdades, principalmente qualquer tipo de censura; porém, que ela venha para democratizar realmente os meios de comunicação, deixando de estampar apenas futilidades e promover os já promovidos. Que ela venha DA SOCIEDADE, PARA A SOCIEDADE!!!


*MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL D MAIS CULTURA QUE CIRCULA NA REGIÃO NOROESTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

domingo, 20 de dezembro de 2009

A BATALHA PELA SUA MENTE


TÉCNICAS DE PERSUASÃO E LAVAGEM CEREBRAL


Em toda história do homem, ninguém que tenha sofrido lavagem cerebral, acreditará ou aceitará que sofreu tal coisa. Todos aqueles que a sofreram, usualmente, defenderão apaixonadamente os seus manipuladores, clamando que simplesmente lhes foi "mostrada a luz"...ou que foram transformados de modo miraculoso. 


Jonathan Edwards descobriu acidentalmente as técnicas durante uma cruzada religiosa em 1735, em Northampton, Massachusetts.


Induzindo culpa e apreensão aguda e aumentando a tensão, os "pecadores" que compareceram aos seus encontros de reavivamento foram completamente dominados, tornando-se submissos.


Uma vez que um pregador, líder de culto, manipulador ou autoridade atinja a fase de apagamento do cérebro, deixando-o em branco, os sujeitos ficam com as mentes escancaradas, aceitando novas idéias em forma de sugestão. Porque Edwards não tornou sua mensagem positiva até o fim do reavivamento, muitos aceitaram as sugestões negativas e agiram, ou desejaram agir, de acordo com elas.


As técnicas são ainda hoje utilizadas por cristãos revivalistas, cultos, treinadores de potencial humano, algumas reuniões de negócios, e nas forças armadas dos EUA, para citar apenas alguns.


Edwards simplesmente topou com uma técnica que realmente funcionou, e outros a copiaram e continuam a copiá-la pelos últimos duzentos anos.


Sinto fortemente que essa é uma das maiores razões para o crescimento do fundamentalismo cristão, especialmente na variedade televisiva, enquanto que muitas das religiões ortodoxas estão declinando. 


As Três Fases Cerebrais


            Os cristãos podem ter sido os primeiros a formular com sucesso a lavagem cerebral, mas teremos de ir a Pavlov, um cientista russo, para uma explicação técnica. Nos idos de 1900, seu trabalho com animais abriu a porta para maiores investigações com humanos. Depois da revolução russa, Lênin viu rapidamente o potencial em aplicar as pesquisas de Pavlov para os seus próprios objetivos.


Três distintos e progressivos estados de inibição transmarginal foram identificados por Pavlov.


O primeiro é a fase Equivalente, na qual o cérebro dá a mesma resposta para estímulos fortes e fracos.


A segunda é a fase Paradoxal, na qual o cérebro responde mais ativamente aos estímulos fracos do que aos fortes.


E a terceira é a fase Ultraparadoxal, na qual respostas condicionadas e padrões de comportamento vão de positivo para negativo, ou de negativo para positivo.


Com a progressão por cada fase, o grau de conversão torna-se mais efetivo e completo. São muitos e variados os modos de alcançar a conversão, mas o primeiro passo usual em lavagens cerebrais políticas ou religiosas é trabalhar nas emoções de um indivíduo ou grupo, até eles chegarem a um nível anormal de raiva, medo, excitação ou tensão nervosa.


O resultado progressivo dessa condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade. Quanto mais essa condição é mantida ou intensificada, mais ela se mistura. Uma vez que a catarse, ou a primeira fase cerebral é alcançada, uma completa mudança mental torna-se mais fácil. A programação mental existente pode ser substituída por novos padrões de pensamento e comportamento.


Outras armas fisiológicas freqüentemente utilizadas para modificar as funções normais do cérebro são os jejuns, dietas radicais ou dietas de açúcar, desconforto físico, respiração regulada, canto de mantras em meditação, revelação de mistérios sagrados, efeitos de luzes e sons especiais, e intoxicação por drogas ou por incensos


Os mesmos resultados podem ser obtidos nos tratamentos psiquiátricos contemporâneos por eletrochoques e mesmo pelo abaixamento proposital do nível de açúcar no sangue, com a aplicação de injeções de insulina.

COMO ALGUNS PREGADORES TRABALHAM PARA LAVAR A SUA MENTE


      Se você desejar ver um pregador em ação, há provavelmente vários em sua cidade. Vá para a igreja e sente-se acerca de três-quartos da distância ao fundo. Muito provavelmente uma música repetitiva será tocada enquanto o povo vem para o serviço. Uma batida repetitiva, idealmente na faixa de 45 a 72 batidas por minuto (um ritmo próximo às batidas do coração humano) é muito hipnótica e pode gerar um estado alterado de consciência, com olhos abertos, em uma grande porcentagem das pessoas. E, uma vez você esteja em um ritmo alfa, você está pelo menos 25 vezes mais sugestionável do que você estaria, em um ritmo beta, de plena consciência. A música é provavelmente a mesma para cada serviço, ou incorpora a mesma batida, e muitas das pessoas irão para um estado alterado de consciência quase imediatamente após entrarem no santuário. Subconscientemente, eles recordam o estado mental quando em serviços religiosos anteriores, e respondem de acordo com a programação pós-hipnótica.


            Observe as pessoas esperando pelo início do serviço religioso. Muitas exibirão sinais exteriores de transe - corpo relaxado e olhos ligeiramente dilatados. Freqüentemente, eles começam a agitar as mãos para diante e para trás no ar, enquanto estão sentadas em suas cadeiras. A seguir, o pastor assistente muito provavelmente virá, e falará usualmente com uma simpática "voz ritmada". Uma "voz ritmada" é um estilo padronizado, pausado, usado por hipnotizadores quando estão induzindo um transe. É também usado por muitos advogados, vários dos quais são altamente treinados hipnólogos, quando desejam fixar um ponto firmemente na mente dos jurados. Uma voz ritmada pode soar como se o locutor estivesse conversando ao ritmo de um metrônomo, ou pode soar como se ele estivesse enfatizando cada palavra em um estilo monótono e padronizado. As palavras serão usualmente emitidas em um ritmo de 45 a 60 batidas por minuto, maximizando o efeito hipnótico.


            Agora, o pastor assistente começa o processo de "acumulação". Ele induz um estado alterado de consciência e/ou começa a criar excitação e expectativas na audiência. A seguir, um grupo de jovens mulheres vestidas em longos vestidos brancos que lhes dão um ar de pureza, vêm e iniciam um canto. Cantos evangélicos são o máximo, para se conseguir excitação e envolvimento. No meio do canto, uma das garotas pode ser "golpeada por um espírito" e cai, ou reage como se estivesse possuída pelo Espírito Santo. Isso efetivamente aumenta a excitação na sala. Nesse ponto, hipnose e táticas de conversão estão sendo misturadas e o resultado é que toda a atenção da audiência está agora tomada, enquanto o ambiente torna-se cada vez mais tenso e excitado.


            Exatamente nesse momento, quando a indução ao estado mental alfa foi conseguida em massa, eles irão passar o prato ou cesta de coleta. Ao fundo, em uma voz ritmada a 45 batidas por minuto, o pregador assistente poderá exortar, "dê ao Senhor...dê ao Senhor...dê ao Senhor...dê ao Senhor". E a audiência dá. Deus pode não obter o dinheiro, mas seu já rico representante, sim.


          A seguir, vem o pregador fogo-e-enxôfre. Ele induz medo e aumenta a tensão falando sobre "o demônio", "ir para o inferno", e sobre o Apocalipse próximo -- o poder da sugestão hipnótica em centenas de pessoas assegura que entre 10 a 25 por cento verão o que quer que lhes seja sugerido ver.


     Na maioria das assembléias, "depoimentos" ou "testemunhos" usualmente segue-se ao sermão amedrontador. Pessoas da audiência virão ao palco relatar as suas histórias. "Eu estava aleijado e agora posso caminhar!". "Eu tinha artrite e ela se foi!". Essa é uma manipulação psicológica que funciona. Depois de ouvir numerosos casos de curas milagrosas, a pessoa comum na audiência com um problema menor está certa de que ela pode ser curada. A sala está carregada de medo, culpa e intensa expectativa e excitação.


            Agora, aqueles que querem ser curados são freqüentemente alinhados ao redor da sala, ou lhes é dito para vir à frente. O pregador pode tocá-los na cabeça e gritar "esteja curado!". Isso libera a energia psíquica, e, para muitos, resulta a Catarse. Catarse é a purgação de emoções reprimidas. Indivíduos podem gritar, cair ou mesmo entrar em espasmos. E se a catarse é conseguida, eles possuem uma chance de serem curados. Na catarse (uma das três fases cerebrais anteriormente mencionadas), a lousa do cérebro é temporariamente apagada e novas sugestões são aceitas.


            Para alguns, a cura pode ser permanente. Para muitos, irá durar de quatro dias a uma semana, que é, incidentalmente, o tempo que dura normalmente uma sugestão hipnótica dada a uma pessoa. Mesmo que a cura não dure, se eles voltarem na semana seguinte, o poder da sugestão pode continuamente fazer ignorar o problema... ou, algumas vezes, lamentavelmente, pode mascarar um problema físico que pode se mostrar prejudicial ao indivíduo, em longo prazo.


            Eu não estou dizendo que curas legítimas não aconteçam. Acontecem. Pode ser que o indivíduo estava pronto para largar a negatividade que causou o problema em primeiro lugar; pode ser obra de Deus. Mas afirmo que isso pode ser explicado com o conhecimento existente acerca das funções cérebro/mente.


            As técnicas e encenações variarão de igreja para igreja. Muitos usam "falar línguas" para gerar a catarse em alguns, enquanto o espetáculo cria intensa excitação nos observadores.

            O uso de técnicas hipnóticas por religiões é sofisticado, e profissionais asseguram que elas tornaram-se ainda mais efetivas.



            Som potente e o uso apropriado de iluminação são de importância primária em induzir estados alterados de consciência.


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